Vinícola Undurraga, a melhor de Santiago

Ok, sei que não visitei mais nenhuma outra, mas fiquei com essa impressão, ainda mais depois de saber como é a visita a outras vinícolas. A tão famosa Concha y Toro, principal exportadora do Chile e bem conhecida no Brasil, te coloca pra ver vídeos, em vez de mostrar o vinhedo. E parece que tem um lance de botar as pessoas numa sala escura, pra simular o “clima” do Casillero del Diablo, que dá nome a um de seus vinhos mais famosos. Pff.

Chegar até a vinícola não foi difícil. Seguimos as indicações postadas no Forum Mochileiros. Metrô linha 1 saltando na Estação Central, pegando a saída da esquerda. Você já sai em frente a um pequeno shopping, onde há supermercado e lanchonetes, boa opção pra quem estiver com fome. Atravessando-o, você sobe as escadas e chega ao terminal San Borja. A partir da plataforma 75 há os ônibus que vão pra Talagante. A despeito do que dizem uns blogs, não é qualquer ônibus que vai pra Talagante que serve, você tem que indicar ao motorista, pedindo de preferência que ele avise quando chegar o ponto. A passagem custa 1000 pesos por trecho e se paga no próprio microonibus.

O busão balança pra caramba, de modo que é melhor sentar na frente, se puder. Quando chegar uma estrada estreita, você presta atenção ao seu lado direito e verá o nome da vinícola, mas como disse, é mais indicado mesmo pedir ao motorista. Como solicitado, o motorista nos avisou e paramos na porta da vinícola. Você vai entrando pelo portão e não tem ninguém pra te receber, ao menos foi assim no dia que fomos, tava bem vazio. Não nos incomodamos com isso, tiramos foto nessa carruagem e saímos explorando o local sem ninguém pra nos impedir. Pouco a frente, havia uma árvore bem florida, com o barril do Chaves, onde Luciana pensou em tentar se esconder e acabou desistindo.

Já interessados no começo do passeio, pois estava bem frio, procuramos alguém. Um sujeito de roupa vermelha, e não era o papai noel, nos disse para entrarmos. Lá havia uma recepção, essa aí da foto. Contratamos o tour a 8 mil pesos e fomos recebidos pelo nosso guia, o Germán, figurinha já conhecida entre os brasileiros. Fala num espanhol devagar e perfeitamente compreensível. O cara é muito engraçado e simpático, faz de tudo pra cativar. Pra isso, é claro, não podia deixar de soltar umas piadas de argentinos, hehe. Como bem observou um rapaz de nosso grupo, muito provavelmente ele também faz dos brasileiros, quando são argentinos que estão lá. Mas tá valendo.

No começo da visita ele explica sobre a estrutura gerencial da vinícola e como foi mudando ao longo dos anos, mas permanecendo a tradição. Mostra uns totens, que pertenciam a uma tribo indígena do sul do Chile. Pouco depois vem a esperada visita aos vinhedos. Na foto, vinhedos com uvas do tipo pinot-noir. O guia foi explicando o porquê dos vinhedos terem essa disposição e o que me recordo é que, dentre outros motivos, servia para a irrigação ser mais homogênea.

Na foto está uma uva que provamos, acho possível que seja mesmo a pinot-noir. O guia falou e eu não prestei atenção, pois na ocasião eu ainda era totalmente ignorante em matéria de vinhos e essa avalanche de detalhes passa despercebida. Só sei que os vinhedos da foto anterior eram pinot-noir por causa da placa, hehe. Fica a dica, sempre fotografe placas pra se lembrar depois o que era. A uva era deliciosa, docinha, se eu morasse ali comeria todo dia. Bem melhor que as que comemos por aqui, sem aquele gosto forte de azedo, nem a “cica” que fica na boca. Estou aprendendo, isso se deve aos taninos, que são substâncias presentes na casca da uva quando não está bem amadurecida, para protegê-la de predadores nesse período.

Vimos um espaço onde estão, separadas, várias espécies de uvas, como se pode ver na foto. Em primeiro plano está a Carmenére, a uva mais tradicional do Chile. Provando, você nota claramente a diferença de gosto entre as uvas, que são a principal matéria prima do vinho. Como bem disse o guia, sem boas uvas não se faz bons vinhos, as máquinas não fazem milagres. Ele também nos mostrou a diferença entre as folhas de cada parreira, mas a foto ficou ruim.

A próxima etapa era conhecer onde é feita a decantação do vinho. Um forte cheiro gostoso de suco de uva perfumava o local. Explicava o guia que vinhos branco e tinto possuem temperaturas diferentes a que ficam submetidos, o motivo agora não me lembro. Em seguida, era hora de conhecer o local onde ficam armazenados os barris com vinhos. O guia foi explicando detalhes sobre os diferentes tipos de carvalhos que revestem os barris e como eu nada entendia disso, não prestei atenção.

Vários detalhes foram comentados, mas, como disse, pra quem é totalmente leigo muita coisa passa despercebida. Eu gostei demais da visita e passei a me interessar pelo que antes considerava uma futilidade, o estudo do vinho. Ok, continua sendo futilidade, mas eu passei a gostar. Já encomendei um livro, o “Atlas do Vinho”. Mas o mais recomendado segundo minha pesquisa era o Larousse do Vinho, que estava indisponível na Saraiva e caro demais nas outras livrarias. Aliás, a maioria dos livros que pesquisei são caros.

Chegou a hora da degustação. Iniciamos com esse da foto, um vinho branco Terroir Hunter, uva Sauvignon-blanc. Não me lembro das demais especificações, só sei disso por causa da foto, hehe. Foi o que mais gostei. Levemente doce, diferente de todos que já experimentei. Comprei um para dar de presente. Em seguida, provamos um vinho tinto Aliwen reserva, com 2/3 de sauvignong blanc e 1/3 de syrah. Seco, não curti. O próximo foi um tinto Sibaris reserva especial cabernet sauvignon. Impressão parecida com o anterior. Fechamos a degustação com um vinho branco late harvest uvas sémillon combinadas com outra que não me lembro (mentira, não dá pra ver no rótulo que tirei foto). Achei bom de início, mas doce demais, enjoou.

Descobri depois que o adocicado do vinho late harvest vem justamente do nome. Em inglês, o termo significa “colheita tardia”. Colhendo-se a uva após o período normal, a uva desidrata e a concentração de açúcar aumenta. Continuando, recebemos de brinde uma taça, cuja embalagem é a da foto. Comprei um vinho para presente e depois descobri que o mesmo vinho aqui custava 4 vezes mais. Se soubesse, teria comprado mais. Acabada a visita, pegamos o ônibus de volta no ponto em frente à vinícola. Viagem tranquila. Voltamos com um casal do grupo, que por coincidência estava hospedado no mesmo prédio, mesmo andar, num quarto quase em frente ao nosso ap ! Mundo pequeno. Eram de Recife-PE e já iam voltar daqui a 2 dias.

De volta, minha mãe ficou no ap e eu e Lu fomos jantar na famosa calle Lastarría, ali pertinho do ap, em Bellavista. A rua tem vários bares e restaurantes. Havia lido muitas indicações do Victorino e fomos direto nele. Bem, não sei o que o povo viu no lugar. Um espaço pequeno, sem destaques pra decoração e havia MUITA gente fumando, até ficar num nível insuportável. Levou uns 10 minutos para que ao menos recebessemos o menu. Quando vimos que havia poucas opções de jantar, nos levantamos e fomos embora. Paramos noutro restaurante que cheguei a ver uma indicação na net, um tal de não sei o que da Patagônia. Luciana pediu um bife à parmegiana (lá, chamado de bife à napolitana) e eu pedi um “frango supremo com batatas não sei o que”. Quando chegou, vi o que era, o “não sei o que” eram batatas doces, que não curto muito. Não havia trazido o dicionário, nunca saia pra um restaurante sem ele, se você não domina o espanhol. O suco era no padrão sulamericano, fraquinho, parecendo maguary.

Já meio cheios, resolvemos passear pelo Parque Forestal, que fica ali pertinho. O lugar é bonito e, de um modo geral, nos sentimos seguros, até comentamos como a cidade é diferente das brasileiras nesse sentido. Por onde você passa sempre há gente sentada nos bancos, de bobeira mesmo. Fomos até o final dele, quase no mercado central e voltamos. Já na altura do Museu de Arte Contemporanea, enquanto tirávamos uma foto, veio um jovem andando todo torto se oferecendo pra tirar uma foto nossa. Eu já havia observado que ele estava num banco nos olhando, era ele e mais uma pessoa. O cara chegou querendo apertar minha mão, depois pediu dinheiro, tratamos de nos mandar dali. Mas não houve violência, provavelmente era jovem drogado querendo mais grana pro vício. Voltamos pro ap.

Dicas:

- programe-se para, a partir de um hotel no centro, levar 1h30 a 2h de viagem somando o deslocamento do metrô, o tempo pra se situar e o deslocamento de ônibus. Você precisa desse cálculo porque precisa fazer a reserva com antecedência, escolhendo um dos horários disponíveis no site da vinícola. Basta enviar e-mail pra lá no dia anterior, indicando nome e número de pessoas, horário escolhido e idioma e irão te confirmar no mesmo dia. A visita custa 8000 pesos e inclui degustação de 4 vinhos, além de aperitivo. No fim, você ganha uma taça da vinícola.

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14 respostas para Vinícola Undurraga, a melhor de Santiago

  1. Helga disse:

    Olá! Adorei a descrição do passeio, vou para o Chile semana que vem e queria saber se esse é um passeio que dura o dia todo ou meio período, pra conseguir me programar melhor. Obrigada, Helga

    • luademochila disse:

      Oi, Helga. Dura não mais que 2 horas a visita em si. Tem que contar com mais 1h30 para ir e 1h30 para voltar (tempo aproximado, se eu falei diferente, vale o que está no post). Então meio dia é suficiente, ainda mais se começar cedo. Abraços.

      • Marconni Maia disse:

        Olá,sou o mochileiro Marconni Maia,passei pra agradecer as ótimas dicas…acabei de chegar da vinícola Undurraga,segui passo a passo a sua orientaçao….estou no bairro Bella Vista ao lado do Pátio e foi bem tranquilo o esquema metro-central-shopping-microbus…inclusive o guia foi o mesmo,uma figuraça o cara,hehe…um grande abraço,se um dia precisar de umas dicas caso queira visitar a minha cidade Belém do Pará…ficarei honrado em ajudar.
        marconni_maia@hotmail.com

      • luademochila disse:

        Marconni,

        Cara, fico muito feliz mesmo de saber que o blog foi útil para alguém. São esses feedbacks que me fazem ter a certeza de que foi uma decisão acertada deixar o blog aberto ao público e me motiva a escrever mais.

        Agradeço pelo convite, Belém está na nossa lista de interesse. Da mesma forma que, se precisar de dicas do Rio de Janeiro, é só falar.

        Abraços !

      • Silvana disse:

        Olá fui ao Chile no início do mês de abril e segui o passo a passo do segundo parágrafo para chegar na vinícola é e simplesmente irretocável. Deu tudo certo! Valeu muito a pena conhecer a Undurraga. Gostaria de agradecer, pois foi muito útil.

      • luademochila disse:

        Oi, Silvana. Legal ! Fico feliz de o relato ter te ajudado. Abraços !

  2. Natalia disse:

    Oi,
    Vocês fizeram esse passeio em que época do ano?
    É que estou indo pra Santiago semana que vem e não sei se já vai estar frio.. Estou meio perdida quanto a que tipo de casaco levar…
    Obrigada,

    • luademochila disse:

      Oi, Natália. Fomos para Santiago exatamente nessa mesma semana que você vai. Pegamos muito frio, ao menos muito frio para carioca e natalense, rs. Se me lembro bem, o termômetro chegou a marcar 10 graus. Mulheres normalmente sentem mais frio, minha esposa sofreu. Então é bom levar um agasalho para bastante frio. Precisamos principalmente de luvas. A notícia boa é que se você não tiver nada adequado, ou quiser comprar, lá é excelente para comprar roupas de frio. Lojas como Johnson, Falabella e Ripley possuem roupas de qualidade a um preço em conta comparando com o que achamos no RJ e no RN. Boa viagem !

  3. Natalia disse:

    Muito obrigada!
    Eu também sou do Rio e friorenta.. rs
    Eu até tenho bastante roupa de frio, mas fico na dúvida de qual casaco levar..
    Acho q vou ter que rever a minha mala.. Haha
    Pela previsão do tempo parece q a temperatura estaria por volta de 20 graus. Mas as vezes a sensação térmica êh pior..
    Muito obrigada!

    • luademochila disse:

      Houve dias em que a temperatura realmente ficou na faixa dos 20 graus, mas não dá para confiar que fique assim a viagem toda. A temperatura cai de uma hora para outra, principalmente quando chove. Na dúvida, o que sempre fazemos em viagens é o método “cebola” – coloque um monte de roupas por baixo e vai tirando conforme for esquentnado. Abraços.

  4. Soares disse:

    Agradeço pelo roteiro, pois foi muito útil! Para quem quer se atualizar o metrô custa 600 pesos, o ônibus para Talagante 1000 pesos e a visita custa 8000 pesos. Quanto à comida senti que usam muito sal nos temperos e muito açúcar nas bebidas. Realmente a batata é “sofrível” de ser ingerida, parece batata doce, muito aguada e quando fritam fica óleo puro, eles adoram. O câmbio não está muito bom, achei por 215 CLP na semana passada. Fiquei muito impressionado com a simpatia e educação dos chilenos, sempre um te diz: ” olháááá” – Como estás? Quanto à língua, não tive qualquer problema, pois quando observam que é estrangeiro começam a falar devagar e se entende bem, isto é, não dei mole e levei uma “cola” com algumas palavras.

    • luademochila disse:

      Oi, Soares. Valeu ! Não notei muito sal nos temperos, talvez tenha dado sorte. Quanto ao câmbio, infelizmente isso é reflexo da economia em geral. Nós viajantes estamos levando cada vez mais desvantagem e a coisa tende a piorar. Também ficamos impressionados com a educação dos chilenos. Sem dúvida alguma o melhor de Santiago foi o povo. Tenho muita vontade de conhecer o restante do Chile, o Atacama ou os Lagos Andinos serão nosso próximo destino no país.

  5. Nádia disse:

    Qual outra vinícola vc aconselha?

    • luademochila disse:

      Olá, Nádia. Não estive em outra vinícola, mas conhecidos que moram no Chile e são especialistas em vinho recomendam além da Undurraga a Cousiño Macul e Tarapacá (essa última cheguei a provar recentemente os vinhos no Brasil e gostei). Tenho as seguintes anotações sobre a Cousino Macul, da época que estava fazendo o roteiro: “É uma das vinícolas de fácil acesso porque está localizada na região metropolitana de Santiago, na Avenida Quilín 7.100, Peñalolén. Para chegar lá basta tomar o metrô no sentido ‘Plaza de Puente Alto’ e descer na estação Quilín. Ao sair da estação virar à esquerda e caminhar cerca de 500 metros até um enorme Shopping Center. Lá, de duas uma: tomar o microônibus ‘D 17′ ou um táxi. A vinícola fica cerca de 3 km no máximo. Horário: de segunda a sexta, às 11, 12, 15 e 16 horas. Sábado, às 11 e 12 horas. Em inglês e espanhol. Valor: 7.000 pesos por pessoa, com duas degustações.”

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